quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A tarde sobre os Telhados







A Tarde sobre os telhados
*
Cai
e cai ...
Quem mandou que lhe viessem
asas de ave?
E este silêncio que preenche
tudo,
De que país, de qual astro
veio sozinho?
E por que a bruma
- trêmula pluma –
beijo de chuva
- sensitiva –
caiu em silêncio – e para sempre –
na minha vida?


=Pablo Neruda=

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

É assim que vejo o amor




Eu sinto você chegar,

Abrir todas as janelas e deixar a luz entrar...
Suas necessidades vão além de amar,
Tudo em você é paixão pela vida
E intuito em se superar...

Amo ver você assim desconexo e puro,
É quando está mais leve e livre...
É quando diz: “Deixa-me viver!”

E por isso sinto os dias mais breves...
As horas passam sem que eu perceba,
E caminho pelo mundo
Com a chave da esperança em minhas mãos...

É assim que vejo o amor,
Vestido de ilusão, num espelho de águas profundas,
Em noites vazias e plenas de solidão...


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mais que confissões






Nunca encontrarei um jeito de dizer o quanto o amo,
As incertezas não estão nos gestos nem nas ações,
Estão incógnitas no céu das ilusões que chamo,
E não sei fazer da minha dor mais que confissões...
O tempo passa e meu coração inflama...
Doces sonhos duram poucos segundos...
Cada palavra solta torna-se esquecida,
Ainda que, iluminadas por estrelas,
Sob a distância, tornam-se feridas...
Há vida lá fora, que o amor cresça!
Nunca encontrarei um jeito de dizer o quanto o amo
Mas quem sabe...
Eu saiba viver com louvor a cada momento...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Lembranças...







Sua lembrança inunda-me com doçura,
com ares de uma visita bem-vinda
de algo, não descoberto , ainda...
Mas acertando-me profundamente o coração...

Livre e puro de espírito,
desprende-se do tempo e do espaço
E, assim, vive à medida do acaso...
Ora triste ora agitado, passeia em mim
como um raio luminoso e esguio...

E as mãos de doces afagos
nos meus sonhos, estendem-se em abraços ...
Eu sinto em seus gestos a leveza...
E todas as ondulações de sua alma
vão, das dúvidas, à euforia das certezas ...

E quanto a mim, só um doce desejo...
Hoje, enfim,dor sufocada
Que guarda apenas um segredo
O leve perfume da rosa
E a lembrança daquele beijo...


........

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Diante dos meus olhos




Diante dos meus olhos carentes,
Um silêncio observador invade as janelas da alma
E suponho que possa ser o amor...
Ele dança no palco do seu jogo criador.
Enquanto minha certeza expressa-se em sensações...
Como poderei abraçá-lo além do sonho,
Se há dúvidas cruéis que o fazem vacilar?
É tarde e ele invade meu coração.
Diante de todas as coisas nada sei...
Mas entendo que é possível inebriar-se da sua magia...
Quero apenas luz para renascer consciente...
Porque é inevitável a dádiva do seu merecimento,
Mas que seja dele a escolha em seu silêncio,
E que seja profundo, porque as águas são densas
E meus desejos não são deste mundo ...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Guardo em meu coração







Guardo em meu coração
O teu sorriso e o teu olhar questionador...
Levo comigo o amor em resposta,
A carta jamais escrita, mas, sim, vivida...
O sonho desconexo e disperso pela dor...
Eu volto no tempo em que as lições
Fizeram de nós dois, pequenos aprendizes...
E que por carência viemos a sucumbir
A nós mesmos, por medo...
Na distância, no silêncio, nas noites sem sono,
Fizemos nosso ninho redentor...
Somos pontes, mãos e abraços...
Somos os beijos das manhãs iluminadas,
As noites nuas e loucas...
Então corremos no jardim dos sonhos,
Enquanto navegamos,
Enquanto nos sentimos
E esperamos,
O que não tem começo
Nem fim...

sábado, 4 de abril de 2009

Coração, diga-me...





Como você entrou em minha vida?
Como fez de sua chegada breve partida?

Como raptou meus sentimentos
Sempre tão livres de quaisquer despedidas?
Agora ouço sua voz,
Comovendo-me,
Seduzindo-me num longo beijo...
Flutuo...
Diga-me, como me fez sonhar?
A cada momento fico mais frágil...
Como passei a fazer parte do seu sonho?
E você do meu?
Diga-me...
Porque eu sei poucas coisas
sobre esse amor...
Quero fazer essa viagem...
E tocar sua mão...
Quero essa verdade,
Não me perca na estrada da ilusão..



terça-feira, 31 de março de 2009

The last time I saw you...


Coming back from Paris on the train
I really didn't care if the journey took all day
Try to turn the pages of my magazine
Whilst trying to keep a hold of your hand annd
Ordering a coffee that I wouldn't ever drink
Just to keep you and Paris on my mind
Just to keep you and Paris on my mind
I didn't know it would be the last time
The last time I saw you
At Waterloo we went our separate ways
When I got in my cab
I didn't turn and wave
I didn't go to workJust went to bed
Trying to keep you and Paris on my mind
Trying to keep you and Paris on my mind
I didn't know it would be the last time
The last time I saw you
I phoned your office this afternoon
They said they hadn't heard anything from you
It's been seven days without a word
I have to keep you and Paris on my mind
I have to keep you and Paris on my mind
I didn't know it would be the last time
The last time I saw you
Going back to Paris on the train
Raining and without you it's not the same
I have to do this journey one more time
Just to keep you and Paris on my mind
Just to keep you and Paris on my mind
I didn't know it would be the last time
The last time I saw you

...


(Paris-Dido)

segunda-feira, 30 de março de 2009

O silêncio na fonte do amor...



O sonho às vezes me abandona,
Pois dele não aprendo a partir,
É o perfume do meu único jasmim...
As lágrimas me ferem a alma,
E fazem silêncio na fonte do amor...
Assim vão morrerendo todas as palavras,
Não há borboletas, nem flores,
Não há versos, nem mesmo rancores...
Eu vou ao mar recolher um pouco de mim...
Existirá algum pôr-do-sol
Que com seus raios ,
Cobrirá eternamente meu coração...



domingo, 29 de março de 2009

O mar que habita meu coração...



Eu tenho uma visão infinita do meu mar azul,
Lembranças de sentar na areia
E recolher os restos de um castelo,
Enfim, desabitado...
De sentir a espuma das ondas e esperar,
Que suas ondas brancas me tragam as rosas
Ainda perfumadas, colhidas num jardim distante...
A espera do amor que não veio,
Das chegadas e partidas prometidas...
E beijos quentes neste mar gelado...
Eu tenho um mar azul imenso
Que habita meu coração...
Eu fecho os olhos, e o amor se cala
Às verdades que não posso ver...
Eu tenho uma dor profunda,
Que percorre o azul até chegar ao céu,
E na linha do horizonte morre...
Eu juntei conchas perdidas,
Na esperança de encontrar-te, amor...
Eu vi a as ondas se formarem,
Sem certezas e sem respostas,
Sem saber por que neste mar azul,
Formou-se uma tempestade atroz.




quinta-feira, 26 de março de 2009

Vejo melhor os rios quando vou contigo




Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentada a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu mudaste a Natureza!
Trouxeste-me a Natureza para perto de mim,
Por tu existires vejo-o melhor, mas o mesmo,
Por tu me amares, amo-o do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-no mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou...


Alberto Caeiro

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Em ti, um pouco de mim...



Quando sentiste minhas mãos acariciando as tuas,
Guardaste contigo o perfume que fluidificou no ar...
São os meus sinais presentes,
Na imagem que vês quando tocas o espelho...
Mas quando a tristeza invade o teu olhar...
E fechas os olhos,
Flutuas, como o vento , ao acaso...
O mesmo vento que traz lembranças...
Guarda todos esses vestígios.
Talvez um dia o conceito que tens
de minha alma,
Encontre em ti , um pouco de mim...
E quando sentires saudade,
Procura-me em minha poesia...

...


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Você, em meu coração...






Muito além da distância eternizada em mim,
Você, em meu coração, é vida desafiante, e fez-se partida...
Eu, em sua obstinação, sou vida lúdica, fiz-me poesia...

Seu olhar me espreita num jogo avassalador,
Sou sua presa fugitiva, misto de mulher e amor...

Eu adormeço em nuvens com os anjos insolentes...
Seu ser acorda de sonos inconsequentes...
E nos amamos entre lágrimas, inocência e perdão...

Você, consciente do sonho, cria sua própria inspiração,
Faz do seu norte luz, desejo e divagação...
Eu, inconsciente por amor, fluto no beijo da canção...

E tudo é o todo, para que nos conheçamos,
Para que a vida se faça presente,
Para que não venhamos a sucumbir
Diante da sensação de posse e desejo,
Como almas oprimidas sob o silêncio ...
E à descrença do próprio amor...

Não prendamos, agora, a respiração,
Diante do ar que vai passando,
Para que possamos ir mais além,

Rumo à inevitável transformação...
Tal como um vôo noturno,

Em que o amor se faz dádiva de iluminação...

Meu amor...



Que tua angústia seja palco questionador
Mas nunca, espetáculo sem amor...
Que teus tormentos sejam breves
Como uma chuva fina,
Mas nunca temporal que devasta
Sem estares num abraço acolhedor...
Que teus momentos e decisões
Sejam flechas ascendentes,
Que todos eles carreguem uma prece
E sejam, na resposta Divina,
Sempre teu melhor presente!
Que a vida te seja mãos plenas
De amor e caridade,
E que tua súplica seja força invisível,
Tal como move uma pequena cachoeira
Com força e sensibilidade...
E que agora, minha oração ,
Seja em ti abraço
Que te sustente o coração...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O Tempo quer sorrir...




Não me olhes agora...
O tempo quer sorrir,
Iluminar minha percepção...
Meu sono, quase sonho perdido,
Vai além da imaginação...
Eu sou a água da manhã em teu rosto...
E quando tocas o espelho,
Acolho-te em minha devoção...
Mas, agora...
O ninho da culpa está deserto,
Tem algumas plumas dispersas,
Pairando sobre nossas conversas...
Sim, eu sou um anjo- mulher,
Que viaja em asas douradas,
E pensa com o coração...
Agora o anjo está caído,
No sentido exato da premonição...
E não pode voar...
Olha para alto ouvindo a última canção...
Eu sou uma mulher que ama,
E segura o coração com as mãos...
Um novo sonho me chama...
E quer dar-me a mão...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Meu amor em segredo te querendo










Se a dor é grande, que o tempo não apaga,

O coração cala, vai seguindo sufocado,

Meu amor, em segredo, vai querendo,

E, eu,

No vai-vem das estações ,

Vou me perdendo na curva das ventos...


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Na simplicidade do silêncio





Na simplicidade do silêncio,
Eu sou um grão de areia que atrai um foco de luz.
Viajo e vou até o firmamento,
Lá sou tudo que não se ouve ou vê,
Estarei além de toda a atenção
Porque quero tentar sobreviver...
Sendo , assim, sem ninguém saber-me,
Desperto em mim a certeza de ser
Posso criar um novo cenário,
E contornar incompreendidas circunstâncias.

Flutuando vejo-me nas águas da verdade
E enquanto estiver neste vazio,
Encontrarei a possibilidade de desvendar meu diário,
Reler minhas lendas e crenças,
E sincronizar-me novamente com o amor...
Na simplicidade do silêncio,
Ao sabor dos ventos em meu coração,
Poderei entender como é o amor em tua percepção...


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Preciso que você me entenda...



Para que eu me conheça
Preciso que você me entenda
Pois eu sou o conceito da sua interpretação
Não vivo só, mas em você...
E enquanto seu coração circular em minh' alma
Sentirei sua presença, seus impulsos, e todo seu querer...
Eu sou o sonho que trouxe a necessidade do Amor,
A possibilidade de movimento e transformação no tempo...
Você aceita a distância, pois desfruta o despertar do seu existir
Reconhece em si a liberdade que ilumina seu aprendizado,
E sente a verdade quando chega de repente...
Busca o sonho no ninho...
A lua, o sol e o vento soprando alto
São partes deste momento.
Quer achar a verdadeira estrada
Para nunca mais caminhar sozinho...

Eu preciso que você me entenda,
Para que eu me reconheça parte
Do seu sonho criador...

Apenas sei que meu vôo é leve,
Breve, quase sem direção...
Sei que o real se desfaz
Na causa mínima da ilusão...
" Preciso que você me entenda
E também reconheça em si
O meu amor... "

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Escutava-me com o coração...


Escutava-me com seu coração,
Num estado livre de conflito, e pura admiração.
Seus olhos percorriam minha boca,
Descendo livremente até o ventre...
Eu não o compreendia, mas sentia,
Ele ia em direção ao seu desejo...

Vagamente eu sabia o que ele estava dizendo,
E percebia essa verdade,
De nos encontrarmos com a finalidade da vida,
Deixamo-nos ficar em silêncio,
Num reconhecimento de amor e liberdade...

Transformado o momento em respiração ofegante,
Ficamos extremamente próximos e fluídicos...
Assim nos encontramos, etéreos...
Transcendendo o desejo trivial da vida
Numa imensidão subconsciente,
Com gosto de amor imensurável...